Chamada para ação no Restinga

Amanhã é nosso último dia em Porto Alegre e para encerrar as atividades o busão estará num dos maiores bairros da cidade, o Restinga.

A convite da Secretaria de Segurança Pública – que aparentemente não curtiu a ideia de sermos um Ônibus Hacker e nos creditaram como Ônibus DIGITAL – organizaremos oficinas e rodas de conversa (a princípio) sobre dados abertos, transparência e segurança pública.

No Busão ainda tem espaço para quem quiser sair do Gasômetro com a gente. Anote e compartilhe a agenda do dia aí:

• 11h: Atividades preparatórias (articulação com lideranças da Restinga, roda de conversa sobre o bairro, etc) no Gasômetro

• 13h: Saída para o Restinga atividades autogestionadas (junto ao posto móvel da Brigada Militar, na rua Belize, em frente à Escola José do Patrocínio)

• 19h: Retorno

O Restinga

A história de uma das maiores periferias da cidade começa nas décadas de 40/50 quando o êxodo rural aumentou 70% da população da capital. Os imigrantes do interior do estado se concentraram em três vilas – Ilhota, Theodora e Marítimos. Daí que em 1966, para afastar a pobreza e as submoradias da região (Alô Cracolândia, Moinho, Pinheirinho! Alô, periferia!) o Departamento Municipal de Habitação removeu à força essas pessoas para uma área despovoada e, claro, sem estrutura básica, como transporte público, energia, água. Caminhão pipa a cada quinze dia, para se ter uma ideia do perrengue.

Mão de obra abundante é mão de obra barata, a industrialização gaúcha já tinha passado do seu pico de desenvolvimento e sabe-como-é… Na década de 80 um Parque Industrial é criado em torno do bairro, o que não muda o previsível final da história. Como consequência da falta de planejamento urbano e de políticas públicas decentes: a Tinga é praticamente uma cidade dormitório, os índices de desemprego e homicído continuam altos e a escolaridade baixa.

Hoje, de acordo com o último censo do IBGE, cerca de 50 mil pessoas vivem no Restinga. Já a Caixa Econômica Federal, que trabalha há 20 anos no local, estima 130 mil e o Centro Administrativo Resgional fala de 157 mil habitantes, a partir dos dados fornecidos pelos profissionais de saúde da família. Entre os motivos da divergência está a irregularidade de grande parte da moradia. Ou seja, é possível que o dobro da população oficial simplesmente não exista para o Estado.

Territórios da Paz

Com o objetivo de pacificar o Restinga, é implementado o Programa da Secretaria Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) para transformar a área no que chamam de Territórios da Paz. O processo envolve tanto intervenções sociais quanto intensificação do policiamento comunitário com unidades móveis da Polícia.

Nós procuramos mais informações sobre o Territórios da Paz / Pronasci mas elas são escassas e clareza não é o forte. Amanhã vamos descobrir e contamos num próximo post.

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Published:26 de janeiro de 2012

Geral

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