Ao Pinheirinho

“Todos os fracos, todos os inúteis, todos os doentes e todos os sacrificados expedidos a êsmo,como o rebotalho das gentes, para o deserto.

(…)

A preocupação exclusiva dos poderes públicos consistia no libertá-las quanto antes daquelas invasões de bárbaros moribundos que infestavam o Brasil. Abarrotavam-se, às carreiras, os vapôres, com aquêles fardos agitantes consignados à morte. Mandavam-nos para a Amazônia – vastíssima, despovoada, quase ignota – o que eqüivalia a expatriá-los dentro da própria pátria.

A multidão martirizada, perdidos todos os direitos, rotos os laços de família, que se fracionava no tumulto dos embarques acelerados, partia para aquelas bandas levando uma carta de prego para o desconhecido; e ia, com os seus famintos, os seus febrentos e os seus variolosos, em condições de malignar e corromper as localidades mais salubres do mundo.

(…)

Nunca, até aos nossos dias, a acompanhou um só agente oficial, ou um médico. Os banidos levavam a missão dolorosíssima e única de desaparecerem…E não desapareceram. 

Homenagem ao Pinheirinho, enviada pela Patrícia Cornils para a Rádio Busão Hacker: O Paraíso Perdido – Euclides da Cunha.

Na sequência, Adoniran com seu Despejo na Favela.

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Published:26 de janeiro de 2012

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